capitão haddock @ 04:32

Sex, 07/08/09

Numa altura em que o debate político é dominado por discussões sobre a inclusão de arguidos/ processados/ culpados/ condenados nas listas de candidatos a deputados da Nação, apresentações de programas de governo e outras minudências, urge recentrar o debate nas questões que realmente afectam a vida das portuguesas e dos portugueses. 

 

 

Muito se têm discutido ao longo dos anos as diferenças entre esquerda e direita. Essa discussão adquire particular relevância nestes tempos conturbados que vivemos, em que os mercados não se auto-regulam e desregulam pilares fundamentais em que assenta(va) a vida em sociedade (ter um BMW pode ter deixado de ser um indicador de bons genes com vista ao acasalamento para ser sinónimo de um crédito por pagar no BPP - uma tragédia) e em que as diferenças socio-económicas se acentuam. Esta questão torna-se ainda mais fundamental num país que nas últimas décadas conheceu apenas dois partidos e meio no arco da governabilidade. Muitas dúvidas assolam a população. O que distingue a esquerda da direita? Que valores separam o PS do PSD? O que os une? Fará sentido falarmos de um centrão? Aquilo na sopa de cação era salsa ou coentros?

 

[Aproveito esta breve reflexão para cunhar a expressão Jamex, a respeito do bloco central blogosférico.]


Apesar de esta ser uma discussão transversal (bem, há-de ser transversal a qualquer coisa) na reflexão de filósofos, sociólogos, politólogos e pessoas desinteressantes em geral ao longo dos séculos, poucas conclusões têm advindo dos seus trabalhos.

 

Não obstante, parece-me evidente que a principal diferença entre esquerda e direita é o nome das pessoas.

 

Por exemplo, o Chico da Silva tem muito mais probabilidades de ser de esquerda e mineiro, enquanto o Francisco de Silva será, numa margem de erro consideravelmente pequena, militante do PSD e gestor de uma empresa de exploração de recursos geológicos.

 

Que visão tão obtusamente simplista, oiço sussurar por aí. Antes de mais deixe-me dizer-lhe que isso não é coisa que se sussure. Se é para sussurar, esperava pelo menos um ou dois insultos. Desilude-me, caro e parvo leitor.

 

Exemplifiquemos, então.

 

O raciocínio - sejamos benevolentes e chamemos-lhe assim - que se expõe em seguida seria igualmente válido para os ressabiados do Jamais ou para o 31 da Armada em Parva, mas, a título de exemplo e por serem uma amostra mais representativa (e porque ninguém lhes liga, coitados), façamos o seguinte exercício com os autores da Rua da Amargura.

 

Dos 35 - trinta e cinco - autores do Rua da Amargura, apenas 11 - onze - não se incluem em qualquer das categorias que aqui se definem como pertencentes a Nomes de Direita. A maioria assina com três nomes, tem nomes de beto, ou um apelido estrangeiro, sendo que alguns (não fossem ser acusados de comunistas) acumulam categorias.

 

Assinam com três nomes = 16

Nomes de Beto* = 11

Apelido Estrangeiro = 4

Nome Normal (nome próprio não-beto + apelido) = 11

Acumulam pelo menos duas categorias = 9

Assinam conforme o BI = 2

Total = 16 + 11 + 4 + 11 - 9 + 2 = 35

 

* Para os devidos efeitos se informa que foram considerados como nomes de beto os seguintes: Adolfo, Afonso, Bernardo, Diogo, Eduardo, Francisco (2x), Frederico, Henrique, Leonardo e Tomás.


Os dados observados encontram-se reunidos no seguinte gráfico.

 

 

 

Para efeitos de cálculo e análise, ignoremos as duas entidades que assinam conforme o BI, e concluiremos que apenas 1/3 dos autores mais à direita do espectro político-blogo-eleitoral português têm nomes não claramente identificáveis como de direita.

 

Se o Nome de Beto é uma inevitabilidade que vem com o baptismo cujas responsabilidades indiviuais não podem ser assacadas directamente aos, lá está, indivíduos em causa, já o assinar com três nomes é uma opção que, mais do que uma homenagem à entidade matriacal na forma de utilização do nome de linha materna, parece ser uma espécie de etiqueta social (um duplo sentido na expressão etiqueta social, viu?), hierarquizando o seu utilizador num nível superior de acordo não com uma, mas com duas castas de origem certificada.

 

Não deixa de ser curiosa a prevalência de nomes com ascendência mais ou menos estrangeira (Burnay, Lamy, Mathias, Wahnon - e outros exemplos haveria noutras populações similares passíveis do mesmo estudo, como os Belford, Bettencourts ou Buchholz) nas fileiras das ideologias mais conotadas com o nacionalismo e as tradições da casta lusitana.

 

 

Sempre disponível para os grandes debates da Nação, do quase sempre vosso,

 

Capitão Archibald Haddock

 

 

PS: Aquilo na sopa de cação eram coentros. Pôr salsa na sopa de cação seria uma palermice.

 



Pão Metálico @ 09:39

Sex, 07/08/09

 

Ter um BMW, independentemente dos genes e afins, será sempre sinal de bom senso. Independentemente da forma como foi adquirido, roubado, etc...


Aurea Mediocritas @ 10:15

Sex, 07/08/09

 

Mais que 2 ou 3 nomes, que me parecem ser uma convenção arbitrária, acho que as pessoas deviam ter um Lop consoante as suas funções e/ou grupo social.
Vivemos numa sociedade que sofre as consequências da falta de critério ... muito triste.




FuckItAll @ 11:43

Sex, 07/08/09

 

Espero que o Jamex se curve perante isto.


Filinto @ 12:27

Sex, 07/08/09

 

Brilhante sôtor!


corpusmentis @ 13:19

Sex, 07/08/09

 

eu explico-te as diferenças...
precisavas de tanta léria para mandares abaixo os betos e as pitas do 31 da Armada?
É pá não mistures coisas sérias, como salsa e coentros, com laraxadas...tás a perceber meu?

DG @ 13:25

Sex, 07/08/09

 

Quitéria Pureza Piedade Augusta Gustava dos Prazeres y Moraes , não escreva no 31 da Armada?


drmaybe @ 13:31

Sex, 07/08/09

 

muito bem, muito bem (clap clap clap e aceno a cabeça pra baixo e pra cima)


Sr. Rocha da Internet @ 13:34

Sex, 07/08/09

 

Há aqui uma série de impreciosismos e uma massa de preconceito visível. Talvez até algum ressentimento suburbano.
Se olharmos para o Simplex ou outros blogs de esquerda veremos Vales de Almeida, Adão e Silvas, Pinto e Castros e por aí fora. Lembro ainda um nome grande da esquerda: Salgado Zenha.
Por isso, este post foi feito com base no preconceito e na inveja aos "ricos", uma coisa completamente ultrapassada.
Depois, ainda vem a parte da santa ignorância, que é aquela onde te esqueceste - por ignorância, lá está - que estes senhores representam a mistura entre as casas reais europeias, daí os nomes estrangeiros.
Muito mais haveria para dizer mas agora vou à praia.


capitão haddock @ 16:15

Sex, 07/08/09

 

Jorginho, Jorginho...

Ora bem, o preconceito existe. Aliás, o preconceito é a base de quase todo o pensamento e racionalização do mundo. Ainda assim, não o vês ali expresso em quase lado nenhum. Infelizmente. Que um gajo que assina com três nomes tem mais probabilidades de ser de direita não é preconceito, é uma inequívoca realidade estatística.

Se olharmos para o Simplex (boa, alguém entrou na porta que deixei escancarada), veremos que a relação é a inversa e menos de 1/3 assina com três nomes. Os Pinto e Castros e Vales de Almeida, mais do que uma subversão do raciocínio, representam uma inevitabilidade gaussiana.


Quanto à mistura entre realezas europeias (não confundas omissão com ignorância), é uma pena que a consanguinidade (que pode explicar tantas coisas) vá dando tantas tréguas.

Boa praia, esse hábito pequeno-burguês.



Shyznogud @ 16:33

Sex, 07/08/09

 

Sei q a tua intenção era fazeres uma séria análise estatística mas acho que entre nós nada vai voltar a ser como antes. Conseguiste pôr-me com pesadelos, afinal tenho um filho Tomás e outra com um apelido estrangeiro.

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